Exposição Paulo Araya em 23 Nov 2007
Exposição: Instituto de Arte Contemporânea
Escrito por Nathalia Lavigne
Cicerones: Amilcar de castro, Mira Schendel, Sergio Camargo e Willys de Castro. Convidados de honra: Arp, Tunga e Volpi também terão espaço.
Uma inauguração incompleta, ano passado, quase tirou o foco do que seria o Instituto de Arte Contemporânea. Afinal, a entidade cultural dedicada aos artistas Amilcar de Castro, Sergio Camargo, Mira Schendel e Willys de Castro, que vai reunir um acervo documental com a trajetória de cada um, surgiu para o público sem o principal: o Núcleo de Documentação e Pesquisa. Se a idéia de abrir uma exposição em meio aos tapumes decepcionou os visitantes, Raquel Arnaud, presidente e criadora do IAC, enumera os louros colhidos com a prévia. “Quem já tinha doado dinheiro viu o que tinha sido feito e captamos mais recursos para terminá-lo“, justifica.
Na quarta-feira (28), o projeto pioneiro, idealizado pela galerista em 97, enfim ganha forma. Cerca de 7 mil documentos e 4 mil imagens sobre Sergio Camargo e Willys de CAstro já estarão disponíveis para consulta. A partir dali, será possível, por exemplo, localizar todas as obras da dupla e conhecer 70 projetos de Willys nunca concluídos. Além do material sobre os outro dois artistas, fica faltando um café e o auditório no subsolo do prédio Joaquim Nabuco. As outras salas em obras são do Centro Universitário Maria Antonia, que terá espaços expositivos integrados ao IAC. As pesquisas, por enquanto, só serão feitas com agendamento prévio.
Onde: Rua Maria Antonia, 258, V. Buarque
Tel.: (11) 3255-2009
Quando: 10h/19h (dom., 12h/17h; fecha segunda). Abre dia 28/11
Valor: Gratuíto
Carnavalesco comportado
Durante a sua busca por documentos sobre Amilcar Castro e Mira Shendel, a pesquisadora Giovana Milani se surpreendeu com uma descoberta. O sóbrio artista foi o responsável pela cenografia do desfile da Mangueira de 1964, junto com Hélio Oiticica.
O episódio está registrado em uma gravação, em que os veteranos da escola falam do artista. As pesquisas sobre Castro e Mira, porém, ainda estão em fase de levantamento - não há previsão de quando os documentos estarão disponíveis.
Da Galeria ao Instituto
Vinte e quatro anos antes de projetar o Instituto, Raquel Arnaud definiu os rumos do mercado de arte brasileiro quando abriu o Gabinete de Arte, em 1973, uma galeria que se consagrou pela coerência e importância de seu elenco.
Como Surgiu o IAC?
Quando passei a representar o espókio do Sérgio Camargo, em 1990, achei que deveria institucionalizar o seu trabalho. A partir dele, incorporei os outros artistas, com quem eu já tinha trabalhado. Achei que os quatro permitiam a mesma leitura.
Mas por que ele só ficou pronto agora?
O prédio cedido pela USP estava caindo aos pedaços, a restauração foi trabalhosa e muito cara. Por isso fiz a pré-inauguração no ano passado
Expandindo as relações
A segunda exposição do Instituto de Arte Contemporânea é uma espécie de ‘aquecimento’ para as mostras que devem ocupar o espaço. Comcuradoria de Paulo Sérgio Duarte, Campos Ampliados resume a proposta do instituto para as exposições temporárias no próprio título: a idéia é integrar artistas nacionais e internacionais ao quarteto da casa. Para esta mostra, foram escolhidos três de seus antecessores (Alfredo Volpi, Jean Arp e Lucio Fontana) e três contemporâneos - Arthur Luiz Piza, José Resende e Tunga. “Existe um diálogo muito positivo entre a arte brasileira contemporânea e o passado moderno“, diz Duarte. Entre as 75 obras dispostas nas duas amplas salas, poucas foram mostradas na exposição anterior, só com os artistas, só com os artistas da casa. Os relevos de madeira de Camargo, por exemplo, estavam fora do país há muito tempo.
Fonte: Guia - O Estado de São Paulo nº 320
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